InnovaCamp em BCN: reflexões

Este final de semana (sexta e sábado de manhã), estive no InnovaCamp Mediterrane@ aqui em Barcelona. O evento foi pequeno e eu não pude ver um montão de gente que queria ter conhecido, como por exemplo a @dreig, mas ainda assim o encontro foi bom em diversos sentidos. Primeiro, ir ao Citilab é sempre uma experiência fantástica: uma fábrica antiga, que mistura aquele ambiente industrial, começo do século XX, com paredes de tijolo aparente, com tecnologia ultra-moderna, computadores, telas touch-screen enormes, mas tudo misturado de um jeito como se fisse todo o sentido. Se um dia eu pudesse escolher, com certeza lá seria um lugar onde eu gostaria de trabalhar.

Foto: Enric Senabre. Citilab por fora.

Além disso, tive a oportunidade de conhecer pessoas muito interessantes, tanto pessoalmente, como na camada virtual que rolou durante o evento, no Twitter. Aliás, essa foi a segunda coisa realmente remarkable de ter participado do InnovaCamp: foi a primeira vez que twittei um acontecimento ao vivo, e fiquei realmente impressionada com a potência dessa ferramenta.

Mas vamos por partes. Para dar uma situada, a proposta do InnovaCamp é, em uma linha, oferecer um espaço para compartilhar projetos que estão rolando sobre tecnologia. Ou, em outras palavras, para publicitar, angariar seguidores e se pans conseguir finaciamento. Alguns dos projetos que foram apresentados, como o SeniorLab e o Atenea Tech, estão "incubados" no próprio Citilab, ou seja, usam a infra do lugar como ponto de partida pra buscar a vida.

Essa, na verdade, é a proposta mesmo dos "living labs", que eu acho muito interessante, dentro do contexto de inclusão digital: não é só uma sala de informática onde as pessoas podem vir e aprender a usar o computador, mas como um grande espaço com diferentes tecnologias, banda larga, onde pessoas que tem projetos que envolvam o uso dessas tecnologias podem, efetivamente, fazer com que eles aconteçam. Empreendedorismo, comunidades e TICs no dia a dia.

(Aliás, um pequeno parênteses: essa história toda me deu algumas idéias de coisas que poderiam ser feitas no Weblab Social, do AcessaSP, mas o caminho a percorrer lá passa por outras questões, e na verdade, algumas coisas já estão surgindo: uma matéria do SPTV outro dia disse que já tem gente que usa o espaço como escritório virtual... mas enfim, fica aqui o ponto para ser discutido mais pra frente. Voltemos ao InnovaCamp.)

Assisti algumas apresentações de empresas que estão trabalhando na área de educação e novas tecnologias, como o pessoal do Kpacita, cuja proposta é dar consultoria pra quem quer desenvolver estratégias de aprendizado usando TICs, e o Horto Digital, que o @torresk apresentou e cuja proposta é ser um living lab de e-learning. Outras apresentações sobre inovação também me chamaram a atenção, como a da @LorenaUbierna, da MetaManagement, que desenvolveu uma reflexão sobre o que significa inovar, bem necessária num momento em que o conceito está em hype. Segundo ela, para inovar de verdade é preciso muita coragem, paixão e otimismo. Eu concordo com ela. ;)

Teve a galera do Atenea Tech, que está se especializando no Drupal, com a proposta de ter "pacotes" prontos para serem instalados de acordo com as necessidades dos clientes. Aparentemente, o Drupal é a ferramenta da vez, apesar do Wordpress... não. Falamos disso outra hora.

Se tivesse que encontrar uma linha que conectasse as diversas palestras que assisti, acho que o fio condutor seria essa idéia de que cada vez mais as pessoas estão mergulhando na idéia de fazer projetos com tecnologia que se aproximem do dia a dia das pessoas que realmente vão usá-las. Na sexta à tarde, as apresentações que envolviam a relação cidadão-governo também iam nesse sentido: não fazer com que as pessoas venha até a tecnologia, mas como fazer as tecnologias irem até as pessoas. Daí, claro, a lógica de blogs, redes sociais etc e tal. (Aliás, outro parênteses: o presidente do parlamento catalão fez uma apresentação no InnovaCamp... por mais que o caminho seja longo, é bom pensar que ao menos eles estão tentando, de verdade).

Nesse sentido, entender realmente o que são os contextos e necessidades de uma comunidade é um requisito absolutamente fundamental. Aquele modelo de solução massificante, que estava subentedido no discurso de que a tecnologia era a resposta para todos os problemas, aparentemente já foi abandonado. Ainda bem. Faz com que eu sinta que meu doutorado faça um pouco de sentido.

Outro ponto que também foi marcante para mim foi: usar as tecnologias dentro, antes de usá-las fora. Acho que isso também é uma mudança de paradigma, e pra ser sincera, ainda estamos engatinhando nesse sentido: empresas que pregam o uso da tecnologia, pessoas que fazem discursos sobre como elas são relevantes e úteis, não as utilizam de fato em suas vidas. A rede não se realiza, não acontece. Então, o que as empresas (e o governo, let me tell you) estão tentando fazer, é (e pode parecer óbvio, mas não é), fazer as pessoas de dentro das empresas e do governo perceberem a relevância (a utilidade, a mudança estrutural etc) que o uso da Internet pode trazer. É um trabalho de formiguinha, mas...

Mas de fato, o que se pode fazer? Posso dar meu próprio testemunho, sobre a experiência que comentei ali atrás sobre o twittar no InnovaCamp. Já tinha ouvido muitos amigos contando de suas experiências, mas o fato é que estar dentro de uma conversa que vai se construindo colaborativamente enquanto o evento vai se desenrolando é uma experiência realmente incrível. Primeiro, o interessante é que é o conjunto da obra das diferentes pessoas que estão presentes o que dá sentido ao que está acontecendo. É quase como se fosse um chat em que todos participam, mas na verdade, existe um esforço (que faz toda a diferença!) de sintetizar um pensamento em 140 caracteres: ou seja, não são só "bate-papos", são de fato células de conhecimento que se juntam para construir uma conversa... enfim.

Pode parecer meio filosófico ou utópico, mas na verdade é realmente interessante a experiência. Como o @torresk falou, depois de experimentar, deve ser bem estranho participar de um evento em que a única coisa q vc está fazendo é prestar atenção no que a pessoa está falando....

Queria falar sobre mais duas coisas, antes de terminar: a primeira é o quão impressionada eu fiquei com o Scratch, um projeto do M.I.T. com quem um grupo lá do CitiLab está colaborando. Ok, programação para crianças pode ser coisa de geek, mas o fato é: se eles estão, realmente, tendo aula de informática na escola ou onde quer que seja, não vai fazer mal a ninguém aprender um pouco de lógica de programação. Aliás, mal nenhum: certeza que muita gente que usa programas corriqueiramente se frustraria muito menos (e aprenderia com muito mais facilidade) se entendesse como é que funciona o mecamismo por trás do que está acontecendo.

Tela do Scratch

É engraçado pensar nisso... eu usava um programa, quando estava na quinta série que chamava... Carta, pode ser? Enfim, um editor de texto. Lembre que pra fazer um novo parágrafo, não dávamos "enter" e sim tínhamos que escrever algo como /p. Não preciso nem dizer o quanto isso me ajudou depois quando aprendi HTML... ou mesmo a tartaruguinho do Logo! Mas enfim. O fato é, o Scratch é uma idéia muito boa e joga com vários elementos do mundo infantil (as cores, sons, vídeo, jogos) e ao mesmo tempo permite aprender ifs, ands, loops... depois de ver que tipo de jogos e programas as crianças usam, realmente acho que o Scratch deveria ser ensinado em todas as escolas. Imediatamente.

Além disso, uma outra característica que dá pontos ao Scratch é ele permitir o compartilhamento dos projetos. E ser multilíngue. Ou seja, o Joãozinho pode fazer um programa numa escola em São Paulo e o Jordi aqui em Barcelona pode baixar, editar e subir de novo. Brincadeira 2.0, falaí? :D

Para terminar, não poderia deixar de comentar o evento "wine tasting digital", oferecido pelo Sommelier Alumni, (naturalmente uma rede social de amantes de vinho), que fizemos na sexta-feira à noite. Quando nos disseram que a idéia era twittar nossas impressões sobre os vinhos, eu achei um pouco over the top. Mas, o vinho era de graça e, por incrível que pareça, depois de um gole no primeiro tinto e um comentário enviado, percebi que eu (e todo mundo na sala) já estávamos olhando para o telão com as twittadas das outras pessoas para escolher o próximo gole. Ok, podia ter sido também feito com uma folha de papel e canetinha. Mas, daí, qual seria a graça? ;-)

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Direto do Innovacamp

Dani refletindo sobre o Innovacamp em Barcelona:

Para dar uma situada, a proposta do InnovaCamp é, em uma linha, oferecer um espaço para compartilhar projetos que estão rolando sobre tecnologia. Ou, em outras palavras, para publicitar, angariar segu...

Direto do Innovacamp

Dani refletindo sobre o Innovacamp em Barcelona:

Para dar uma situada, a proposta do InnovaCamp é, em uma linha, oferecer um espaço para compartilhar projetos que estão rolando sobre tecnologia. Ou, em outras palavras, para publici

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