MutSaz inverno 2010 - em gestação
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Recebemos boas colaborações para o MutSaz de inverno 2010. Estamos agora preparando, para lançar a publicação no fim do mês.
danimatielo: RT @cristobalcobo: Network Theory: Introduction by Manuel Castells in YouTube http://bit.ly/curQ2S
Bate-papo com Gisela Domschke
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Conversei há alguns meses com Gisela Domschke* sobre alguns assuntos relacionados aos Redelabs. Foi em 2008, quando Gisela havia retornado da Inglaterra (onde lecionara no Mestrado de Mídia Interativa da Goldsmiths) e coordenava o LabMIS, que eu a conheci por intermédio de Bronac Ferran. Desde então temos nos encontrado em trilhas cruzadas, principalmente em diversos eventos em Sampa.
efeefe: Você traz uma bagagem interessante, que é essa vivência dando aulas na Goldsmiths, na Inglaterra. E Londres é meio que o epicentro mundial do ideário da indústria criativa. É uma coisa que me assusta um pouco… Gisela Domshcke: Também a mim. Por isso me agrada o termo cultura digital experimental, já que cultura digital é algo diretamente relacionado a indústria criativa. É o que a originou, praticamente. Toda a indústria criativa é uma consequência dessa cultura digital enquadrada. efeefe: A comoditização da cultura digital. A gente está falando sobre a necessidade de experimentação que não esteja voltada ao mercado, produto, tv digital. Essa coisa de somente criar novos mercados… Gisela Domschke: Acho que a indústria criativa realmente não traz aquilo que você está buscando, que é a experimentação. A indústria criativa já traz em si a inserção no mercado. Não vejo que o poder público tenha que investir nisso. Isso se desenvolve sozinho. efeefe: Até porque tem a ênfase em explorar patentes, e aqui no Brasil a gente tem trazido a coisa de direito autoral alternativo, reforma da lei do direito autoral, licenças livres, e eu acho que dá pra investir em outros caminhos aí. Gisela Domschke: Penso que temos que encontrar um caminho alternativo. E isso a arte faz muito bem, é o seu grande valor. A cultura digital alternativa tem essa característica. E mais que isso, tem um certo ativismo. Ou poderia ter. Aqui no Brasil isso acontece em menor escala. Quando dava aula na Goldsmiths, no mestrado de Interactive Media, um dos tópicos que lecionava em meu curso era o ativismo, porque sempre vi aí um dos um dos valores mais importantes e interessantes da cultura digital. efeefe: Eu tava relendo aquela conversa na Empyre, em que estavas mencionando isso… Gisela Domschke: Acho que no Brasil se faz pouco nesse sentido. Inclusão digital tem acontecido até em telecentros. Mas quando se fala em montar laboratórios, sem dúvida nenhuma, concordo com você, que a questão nao é montar novos centros desses que já estão por aí. É buscar essa excepcionalidade, que está na conversa, nessa formação de uma rede, de troca de experiências. Por exemplo, essa oportunidade de você ir pra lá e participar desse encontro [nota: eu havia acabado de retornar do labtolab, em Madrid] ocasiona muitas ideias, é uma coisa inspiradora. E sem dúvida nenhuma pra eles também. Isso tem que acontecer mais, com mais frequência. Inclusive no Brasil. efeefe: O que é estranho é que eu tive que ir pra Madrid pra conhecer o pessoal de Buenos Aires, de Córdoba, Santiago, Lima, Medellín, etc. Gisela Domschke: E ainda depende do CCE proporcionar esse encontro. É realmente um cenário que poderia ser mais facilitado com o apoio do poder público. efeefe: Um caminho que a gente conversou várias vezes nos últimos anos é a ideia de itinerâncias, em vez de residências. Aqui no Brasil o pessoal que está mais ativo tem um aspecto de circulação muito mais aprofundado do que o relacionamento com uma comunidade específica, um lugar específico. A residência tem essa coisa de levar a pessoa pra se aprofundar em um contexto, mas aqui a gente tem muito mais a circulação. Daí a gente pensar em um programa de itinerâncias, pegando grupos de artistas e fazendo eles circularem, passar duas semanas em um lugar, duas semanas em outro. Gisela Domschke: Levando alguma coisa… efeefe: Sim, levando. E fazer um projeto ao longo do itinerário, ou trabalhar, interferir nos projetos que estão acontecendo localmente. Sair desses modelos fixos. Porque o referencial de medialab tem esse aspecto de fixo, estável. Aliás, eu queria te ouvir por causa do teu tempo lá fora e da experiência com o LabMIS. Eu estou considerando que existem dois modelos básicos de medialab – um é aquela coisa do MIT, a grande estrutura de cima pra baixo, que surge na encruzilhada entre Universidade e Indústria pra criar patentes e produtos. Muitas vezes ideias bem intencionadas mas que se baseiam sempre em criar novos produtos, como o OLPC, computação vestível, Lego Mindstorms. Tem essa coisa de propor uma solução pro mundo criando novas coisas. É um modelo baseado naquela ideia de inovação industrial, sempre com o risco de acabar caindo na apropriação pela indústria bélica, etc. E tem outro modelo de medialab, que eu vi mais no Medialab Prado, Hangar, nos primórdios do Waag. Uma coisa mais ativista, que vem dos grupos squatters e artistas engajados, que precisavam ter acesso a ferramentas de mídia. E abriram, criaram espaços, um movimento situado. Mas agora o momento é outro. Não é tanto ter acesso a ferramentas de mídia. E pra nossa realidade, falar em inovação é uma coisa complicada, porque a indústria aqui em geral importa inovação de fora. E fica essa questão, qual é a natureza dessa experimentação que a gente quer fazer? O que é necessário aqui no Brasil? Ou então, qual é o modelo de espaço ou articulação e estratégia nessa intenção experimental que não seja necessariamente a ideia de laboratório com grandes computadores novos e brilhantes. Hoje isso tem em toda parte, salas de aula, até telecentros, 3G, celular, o momento é outro. Gisela Domschke: Acho que é a qualidade do humano que a gente tem que buscar. E isso tanto no trato com a tecnologia quanto no trato entre nós, humanos. Acho muito importante ver quem vai colaborar nesse projeto. Não adianta investir em tecnologia de ponta e ter pessoas que não possuam a compreensão dessa dimensão experimental, porque aí não acontece. E isso é uma coisa muito rara. Criar uma estrutura que possibilite que as pessoas possam trabalhar, criar e passar isso adiante, fazer florescer. Penso que é basicamente por aí que temos que direcionar o projeto redelab. O exemplo do LabMIS. Eu vim de Londres muito com esse tipo de abordagem. Nosso curso era parte do programa do centro de estudos culturais, onde existia uma interdisciplinaridade. Tínhamos alunos voltados para a indústria, mas também alunos voltados para a arte. E outros para o ativismo. Quando cheguei em São Paulo e soube que o MIS planejava abrir um laboratório – um laboratório em um museu público – vi a possibilidade de se criar algo excepcional. Em termos de formato, a gente tinha que atender às reivindicações de vários artistas que estavam lá como orientadores. Tinha pessoas de diversas áreas, cada um propondo uma lista de equipamentos. A gente teve que pegar o orçamento e ver o que podia fazer para atender às diversas demandas. Criamos um laboratório de edição de vídeo com máquinas da Apple e fibra ótica. Mas criamos em outra sala um lab de desenvolvimento de interfaces. A ideia naquela sala era ter linux, sensores, placas arduino, ferramentas, etc. Aquela sala era um espaço dedicado a essa cultura digital alternativa, até te chamei… efeefe: É, a gente conversou na época… Gisela Domschke: O espaço também pode ser fundamental, o espaço é necessário. Tem esses dois elementos, o espaço e o humano. E vontade, dedicação. Com isso acho que se pode fazer o que quiser. efeefe: Outra coisa que a gente está pensando é como desenvolver arquiteturas de diálogo. Arquiteturas que facilitem a troca. Gisela Domschke: você vê, os Zapatistas podem ser uma grande inspiração em termos de arquitetura de comunicação. Como é que a gente não consegue fazer isso acontecer hoje? O Brasil pode ser bem desconectado… efeefe: Em um sentido é, mas no outro não! Gisela Domschke: No outro não, claro. Mas ainda assim. As pessoas aqui em São Paulo falam do Acre como se fosse “o fim do mundo”! efeefe: Tem duas coisas diferentes, uma coisa é o Brasil e outra é São Paulo. São Paulo é um caso à parte no Brasil, justamente nisso de estar à parte. Eu vejo muito mais intenção, por mais que às vezes não aconteça até porque não tem recursos, mas muito mais vontade e abertura pra diálogo fora de sampa do que aqui. Aqui tem um pouco mais de recursos, mas tem muito mais competição. Não tem muito essa disposição pro diálogo. Tem bastante ativismo, mas os ativistas torcem a cara pra arte. Gisela Domschke: essas segmentações eu não entendo. efeefe: Tem essa coisa da competição, e por isso eu penso em arquiteturas de diálogo. Como a gente faz um processo que todo mundo se sinta à vontade pra se apropriar. Gisela Domschke: Um pode dialogar com outro, e aí criar outras coisas, não? efeefe: Mas pra isso é necessário um papel de mediação… Gisela Domschke: É aí que entram em cena essas figuras importantíssimas – os mediadores. Não é tanto administação, mas mediação o que é necessário. efeefe: Durante o Labtolab em Madrid, uma das conversas que aconteceu era sobre residências, intercâmbios, etc. Uma integrante do Medialab Prado sugeriu que não deveria haver residências só dos artistas, mas também dos mediadores culturais, de pessoas que estão envolvidas com outras coisas, mas são fundamentais pro que acontece em cada um dos labs. Pensar nesse tipo de intercâmbio também: de gestão, não só de produção. E pensar circuitos. Eu quero acreditar que está se formando no Brasil nos últimos anos um circuito de eventos e espaços. Antes eram coisas mais esporádicas, isoladas. Hoje já tem, só aqui em Sampa, o Arte.Mov, o FILE, o Reverberações, a programação do Itaú Cultural, do MIS, Matilha Cultural. Um monte de coisas acontecendo, e todas estão em contato. A gente vê as mesmas pessoas participando, e isso acaba se tornando um circuito que pode ser trabalhado, desenvolvido. Que já é mais do que existia há alguns anos. Eu lembro de 2003 no Mídia Tática Brasil, que foi o primeiro momento de contato entre um monte de gente do Brasil inteiro. Gisela Domschke: Foi em 2003 que veio o Barbrook? efeefe: Isso, veio o Barbrook, o John Perry Barlow, e o Gil ali no meio. Foi um momento de efervescência. Antes daquilo era meia dúzia de pessoas em cada cidade grande do Brasil que se encontrava pra fazer umas coisas e dialogava muito mais com o que acontecia fora. E aí começou uma integração, intercâmbio entre as pessoas daqui. Depois vieram os pontos de cultura, fez um tipo de contato entre as pessoas mas era uma coisa muito mais utilitária. “Esse ferramental aí de tecnologia e mídia… como é que usa isso pra alguma coisa?”. E nunca teve o momento de aprofundar no que é o isso, qual o isso que a gente quer propor. Sempre foi o “como é que isso serve pra alguma coisa”. Então, tem um monte de gente que tem potencial, que tem um histórico interessante de produção experimental, mas que teve que se encaixar nos formatos possíveis. Gente que não aguenta mais dar oficina. Mas que não tem a estrutura, o interesse, a paciência pra entrar no jargão do financiamento tradicional de projetos experimentais. E é daí que surge essa pergunta, como é que a gente faz pra essas pessoas poderem trabalhar, contemplando toda a visão de processo e não só da obra, da produção, do que pode ser exibido nos circuitos tradicionais. Gisela Domschke: Ontem mesmo numa discussão, levantei essa questão: aqui no Brasil a gente não tem nenhum edital para pesquisa no campo da arte. Você sempre tem que entregar um produto cultural. Pra quê? Pra ir lá e fazer a contabilidade no final. Tira foto e manda. Estava comentando sobre essa necessidade de se abrir esse espaço, esse apoio para pesquisa. O British Council fez um pouco isso com o Artist Links. Nesse programa a gente não tinha a necessidade de entregar um produto cultural. Uma coisa tão bacana, mas que infelizmente não terá continuidade. Uma pena. Faz-se três anos na China, três anos no Brasil, e então rumo ao próximo Bric. efeefe: Cumprir agenda. Gisela Domschke: Acho bem complicado isso dentro do momento atual da globalização. Muitas vezes a troca cultural segue interesses econômicos. efeefe: É mais pra mostrar lá do que aqui. Gisela Domschke: Mais pra mapear realmente, e ver onde eles se situam. Compreender a cultura local seria a etapa inicial para futuros relacionamento de negócios. efeefe: Pra estabelecer controle. Eu estou conversando com o consulado da Holanda de novo porque eles querem uma atualização do mapeamento de cultura digital no Brasil feito em 2009. Mas agora a gente quer fazer em português, e depois traduzir. Porque isso pode ser interessante pra gente mesmo e pra outros contextos. Isso pode ser um começo de troca. Gisela Domschke: O Brasil mesmo poderia fazer esse tipo de mapeamento. E como funciona? A Holanda vai e aponta umas pessoas. Poderiam existir outras formas de se fazer um mapeamento. efeefe: Eu já propus pra eles de fazer um wiki. A gente vai e escreve sobre tal organização, mas quero que o pessoal da organização também vá lá e escreva. Gisela Domschke: Nosso Ministério da Cultura poderia conhecer um pouco mais sobre o que está acontecendo no país. Mesmo nós, não conhecemos tudo. Para o redelabs, esse conhecimento seria fundamental. efeefe: A gente está pensando nessa questão de trabalhar nos espaços inter-institucionais. E tem essa dificuldade de fazer as estruturas não só entrarem na conversa, mas também cada uma delas ceder espaço, tempo, conhecimento para uma rede que se forma também fora delas. Gisela Domschke: A troca com a instituição pode trazer um conteúdo diversificado. Não precisa só estar na Bienal, no MAC, etc. Poderíamos, por exemplo, ter uma rede no Teatro Oficina. Teatro é um ambiente que pode trazer coisas interessantes em termos de linguagem. Pode ter um nó dessa rede em um espaço de música. De certa forma, criar uma interdisciplinaridade, mas usando instituições que já são focadas em certas linguagens. E na rede a interdisciplinaridade acontecer com pessoas que são especialistas. efeefe: Sim. A gente está querendo fugir um pouco da imagem de media lab pra sair das limitações… Gisela Domschke: É necessário trazer o humano! efeefe: … e pensando em laboratórios em rede, o que dá pra interpretar de uma forma positiva. Gisela Domschke: Seria uma coisa tática, de guerrilha mesmo. Ocupar esses espaços todos. E criar comunicação entre eles. Só isso já seria um grande gol. efeefe: A questão é: o quê propõe nisso? Como começamos? Gisela Domschke: É aí que entra esse diálogo com cada instituição ou organização. Seguindo o exemplo, no Teatro Oficina: aconteceria uma coisa ali com o Zé Celso totalmente diferente do que aconteceria com a Ana Magalhães no MAC. Daí se criam focos de ideias totalmente diversificados. efeefe: Um campo de improbabilidade. Gisela Domschke: E não fica aquela coisa de gueto, porque a rede está comunicando a diversidade. Essa interdisciplinaridade seria a grande transformação. Esse diálogo. E aí pensando naquele mapeamento… há de haver milhares de instituições/organizações pelo Brasil afora, com as quais a gente não consegue se comunicar. A redelabs viria para interferir nesta situacão. Aquele site do Minc, o Cultura Digital, talvez fosse uma tentativa de fazer isso. Mas não adianta vir de cima. efeefe: Eu estava conversando com o Mushon Zer Aviv, que é ligado ao Eyebeam em Nova Iorque. Ele levantou uma questão: como promover a colaboração sem obrigar as pessoas a colaborarem? Tem também o texto do Geert Lovink, The principle of notworking [pt-br aqui, traduzido por Novaes], que fala que um dos elementos principais da colaboração é que as pessoas podem optar por não colaborar. Se elas não puderem escolher não colaborar, não é colaborativo de verdade. Ele critica ali todas as estruturas que pensam a colaboração a partir da obrigatoriedade da colaboração. Gisela Domschke: Concordo. E a rede apenas pela rede não é suficiente. Tem que ter o humano, e o presencial. efeefe: E liberdade. O que eu acho legal no Eyebeam é que eles têm um programa de bolsas pras pessoas ficarem um tempo fazendo o que quiserem. É um caminho interessante: um formato aberto o suficiente que banque as pessoas produzindo – o processo mesmo – mas que vincule essa produção a algum espaço físico. O cara pode até propor de fazer na garagem da casa dele. Deixar indeterminado. Um resultado possível dessa nossa investigação de Redelabs é ouvir que o laboratório físico o cara pode ter em casa. Gisela Domschke: Essa flexibilidade é fundamental. O laboratório é essa atitude de querer experimentar, de fazer alguma coisa. efeefe: E aí a gente vai pro teatro, e laboratório tem outro significado. Gisela Domschke: Por isso que eu acho bacana esse trânsito. Talvez um sistema de bolsas de apoio a experimentação e fluxo. Porque assim não tem aquela coisa de sobrar lá uma sala com equipamentos que não são utilizados. efeefe: E tem um monte de elementos novos. Um exemplo fácil é o celular com internet. Tem toda uma questão aí, que a base é comércio, empresa, dinheiro. Mas tem por outro lado uma liberdade que a gente ainda não conseguiu explorar. Se ficarmos presos no modelo de medialab, a gente não vai conseguir explorar isso tudo. E as pessoas não vão ocupar o espaço, vão esperar a indústria trazer a inovação de fora, sem nenhum questionamento além da rejeição total. E isso não muda nada. Gisela Domschke: Muito legal o questionamento. Acho que é isso, pensar mesmo “pra quê” existir o laboratório hoje em dia.* Artista e curadora, mestre em Design de Comunicação pelo Central Saint Martins College of Arts, em Londres. Coordenou o curso de mestrado em Mídias Interativas na Goldsmiths University, em Londres. Participou de diversas exposições e festivais de mídia, entre eles o World Wide Video Festival (Amsterdam), Pandemonium Festival (Londres), Lovebytes (Sheffield), Videobrasil (São Paulo), Bienal Mercosul (Porto Alegre), 24a Bienal de São Paulo (São Paulo), Whitney Biennial (Nova York), FILE (São Paulo), ICA New Media Talents Awards (Londres). Suas obras foram publicadas em periódicos como Creative Review, Blueprint, The Guardian e Arco Magazine. Coordenou a criação do LABMIS, laboratório de mídias do Museu de Imagem e do Som, onde foi responsável pela programação de eventos, workshops e programas de residência de artistas. Foi orientadora do curso de Digital & Virtual Design do Istituto Europeo de Design, São Paulo, e é professora da Escola São Paulo e da FAAP. Desenvolve projetos de curadoria e produção executiva em colaboração com instituições culturais internacionais como British Council, AHRC, Mondriaan Foundation, Virtuel Platform e Ludic Group.
Cara nova
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Já fazia algum tempo que os planos de melhorar o site da MetaReciclagem estavam patinando. Como estamos planejando retomar em breve as conversas sobre MicroReciclagem e vamos precisar implementar algumas ferramentas novas por aqui, resolvi dar uma acelerada nas coisas hoje. O sistema e um monte de módulos estavam indecentemente desatualizados, incluindo algumas atualizações críticas de segurança.
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Public Interest in ICT4D: Web Search and News Statistics
A previous blog entry on publication of ICT4D research through academic outlets suggested that the field was growing fast. In this entry, I look at ICT4D on the web and in the news, and draw some slightly more downbeat conclusions. These must be taken with a strong pinch of salt because the data looks somewhat cronky. But what can Google Analytics tell us about ICT4D?
As a search term “ict4d” is insufficiently used to show up in Google Trends but it will appear in Google Insights to produce the following chart and table of web search interest over time:
Year 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 (part) Average 47.7 48.4 49.5 41.3 38.9 37.3 35.8
This suggests a peak of interest in ICT4D as a search term in 2006, and a small but steady decline thereafter. A conclusion only slightly undermined by the fact that it records 100% of searches coming from the US; and the fact that the graph was a somewhat (though not greatly) different shape when I looked at it yesterday.
In any case, Google Insights data is just relative to the recorded peak of “100″. For a guide to absolute search levels, Google Adwords suggests a global average of 5,400 searches per month using “ict4d” during mid-2009 to mid-2010 (for all countries, in English). (For comparison, “ictd” scores 2,900 (though a bit messed-up because ictd can mean things like “implantable cardiac therapy device”), and “development informatics” scores 1,300.) And just in case you want to feel bad about ICT4D as your chosen field, “e-government” scores 200,000 monthly searches even though it is, like, sooo 20th century as a concept. (A joke, by the way, just in case you were considering buying my e-Gov textbook!) I did the same search some months back: the monthly average for 2009 alone was about half the figures shown here suggesting an increase in ICT4D search activity in 2010.
Lastly we can track ICT4D and related items recorded in Google News:
Year 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 (est.) “ict4d” news items 0 12 1 9 5 11 8 10 18 “ict” and “developing countries” news items 0 107 73 109 109 97 82 103 129 “broadband” and “developing countries” news items 24 42 67 76 147 119 125 125 150 “mobile” and “developing countries” news items 121 187 188 249 384 475 480 470 657
Looking at the individual news items recorded, there is some evidence of a WSIS effect creating mini-peaks in 2003 and 2005. In general, the level of news items seems to have been fairly steady since 2006/2007 – it remains to be seen if the extrapolations for 2010 (showing a significant increase in interest) are borne out.
Overall conclusions are as follows:
- The base of data that Google Analytics provides is too small and uncertain to draw any strong conclusions.
- Since its first appearance around 2003 “ict4d” has been very useful for those in the field, but it has not really made it into the mainstream: something worth bearing in mind when trying to write for a mainstream audience. News stories and searches more often use broader terms (as another exemplar, of the top 40 search terms used to find items on this blog, only 6 contain the term “ict4d”).
- The rapid recent rise in academic publication on ICT4D is not mirrored here. There are some signs of a small peak of interest in the mid-2000s, but that might be exceeded in 2010, and the broader picture is one of fairly steady interest in ICT4D as a news and web search item during the latter half of the 2000s.
But maybe someone with better knowledge of Google stats will proffer some other conclusions . . .
Cidades Digitais
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Escrevi um post no blog Ubalab sobre algumas relações entre MetaReciclagem, cidades digitais, ciência de bairro e outras coisas. Redelabs entrou na conversa como uma articulação bem-vinda entre diferentes áreas, e que pode ajudar a encontrar respostas. O post está disponível em:
http://ubalab.org/blog/metareciclando-cidades-digitais
MetaReciclando as cidades digitais
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Participei recentemente de um seminário sobre Cidades Digitais, organizado pela Unesp de Araraquara e realizado no SESC daquela cidade. Foi uma boa oportunidade para aprofundar algumas reflexões que já andei esboçando nos últimos tempos. Minha apresentação transformou-se no texto abaixo. A primeira parte não tem muita novidade, mas pode ser interessante pra quem está conhecendo a MetaReciclagem agora. Os slides da apresentação estão disponíveis no scribd.
Esse post faz parte da blogagem coletiva de inverno do Mutgamb, inspirado por Pozimi.
Iluminismo do século XXI
Glerm compartilhou esse post do boingboing com mais um vídeo da série RSA Animate (ilustrado pela cognitive media): iluminismo do século XXI.
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moinho de holambra
Cidades Digitais - Araraquara
Semana passada fui a Araraquara participar do debate sobre "Experiências Democráticas de Acesso à Rede" no segundo seminário sobre Cidades Digitais, organizado pelo departamento de Administração Pública da Unesp no SESC Araraquara. O debate seria moderado por Cássio Quitério, do SESC, e também contaria com Claudio Prado, que infelizmente não pôde estar presente.
Enquanto cruzava quase 500km do interior de São Paulo, fiquei pensando no que ia apresentar por lá. Me chamaram para falar sobre a MetaReciclagem, mas eu queria (uma vez mais) extrapolar a pequena gavetinha em que muitas vezes tentam nos enquadrar - inclusão digital, computadores, etc. - e tentar traçar paralelos mais aprofundados entre as bases da MetaReciclagem e uma possível apropriação crítica do discurso das cidades digitais. Fiquei um pedaço da madrugada anterior ao evento elaborando essas analogias e preparando uns slides. Chamei de "MetaReciclando as Cidades Digitais".
Cheguei quase uma hora antes do debate, conheci as instalações do SESC Araraquara - infra legal, piscinas e tudo mais -, encontrei o pessoal. Claudio Prado seria substituído pelo Tico, um jornalista da região que está fazendo alguns projetos de comunicação e educação.
O debate rolou tranquilo, e entrou no tempo da atividade seguinte. Estou transformando a reflexão que ele gerou em um texto que vou publicar logo mais, junto com os slides.
No fim da tarde, fomos atrás do famoso pôr do sol de Araraquara, batizada "morada do sol". Me espantei ao saber que não havia nenhum lugar especial para assistir ao sol se pondo. Voltamos ao SESC e consegui com algum esforço fazer a fotinho que ilustra esse post.
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pôr do sol em araraquara
pôr do sol em araraquara
Escavações do passado - histórico de emails
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Tenho conversado com o Fernando tentando encontrar possibilidades pra integrar o histórico das diferentes listas de discussão que a MetaReciclagem usou ao longo dos anos (uma demanda que surgiu aqui na Infralógica). Ele chegou a encontrar alguns softwares e scripts que podem ajudar nisso, mas surgiu a dúvida sobre como manipular essas mensagens.
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AVLAB - Gambiologia - Vídeos
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Já estão disponíveis os vídeos do encontro AVLAB que eu e Maira organizamos no CCJ no mês passado, com Gera Rocha, Daniel Hora e Glauco Paiva.
AVLAB São Paulo #3 Gambiolgia - pt.01 from Centro Cultural da Espanha-AECID on Vimeo.
AVLAB São Paulo #3 Gambiologia - pt.02 from Centro Cultural da Espanha-AECID on Vimeo.
Refatorando
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Este site começou como um ambiente de testes de um projeto que estou concebendo há um par de anos para desenvolver em Ubatuba (alguma documentação dos processos que levaram a ele está disponível aqui). O projeto foi recentemente selecionado no prêmio Esporos de Cultura Digital do Ministério da Cultura (com base no texto publicado aqui). Como eu já tinha também publicado alguns posts de blog aqui, resolvi aproveitar o site e migrá-lo para um domínio próprio (ubalab.org). Ainda não sei quando vou efetivamente começar a implementar o projeto, mas já vou aproveitar pra registrar os avanços e investigações por aqui. Por enquanto, o site vai ficar com esse tema.
As investigações com mapas (sobre as quais comentei aqui) foram desativadas desse site e serão ressuscitadas em um subdomínio próprio quando chegar a hora.
Entrevista – Drew Hemment
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Drew Hemment
Continuando o post anterior (sobre o Future Everything), vai abaixo uma curtíssima entrevista que consegui fazer com Drew Hemment. Drew é diretor do festival Future Everything, que nesse ano sediou também a Glonet (global networked event) – que contou com um capítulo brasileiro junto com o Arte.Mov. Ele esteve no Brasil há alguns anos (relato aqui).
efeefe: Faz sentido chamar os projetos que o Future Everything exibe de “cultura digital experimental”? O que você acha dessa expressão e como isso se relaciona com o contexto mais amplo de como as tecnologias se inserem no mundo (em termos econômicos, artísticos, sociais, ambientais, etc.). Drew Hemment: “Cultura Digital” já foi referido anteriormente a grupos de pessoas engajando-se naquelas mídias e artes digitais que eram relativamente fáceis de distinguir da cultura não-digital. Hoje, à medida que o espaço digital se espalha para todas as áreas, é muito mais difícil identificá-lo como uma área discreta. Eu nunca usei o termo “cultura digital experimental”, mas é uma opção possível para indicar aquelas áreas do espaço digital mais amplo que incluem artistas, hackers, a borda mais interessante da comunidade de desenvolvedores, etc. efeefe: Eu sei que vocês têm experimentado com formatos bastante enredados, com particular sucesso na Glonet (conferência enredada global). Por que vocês propuseram isso? Drew Hemment: A motivação foi em primeiro lugar a sustentabilidade ambiental – reduzindo a necessidade de viagens aéres -, e em segundo lugar buscar novas maneiras de se estar conectado globalmente em uma época em que a telepresença e afins se tornaram interessantes outra vez. Os resultados podem ser vistos em nosso blog. efeefe: Que tipo de mecanismo de apoio ainda falta para propiciar a produção de experimentação cada vez mais enredada e sustentável? Por exemplo, alguns artistas demandam alternativas de financiamento que enfoquem menos em obras artísticas e mais em processos, o que possivelmente levaria a produção menos competitiva e mais cooperativa. Que papel você imagina que o governo deve ter nesse contexto? Drew Hemment: É uma pergunta difícil de responder sem transformar em um grande texto que infelizmente não posso fazer agora. Eu concordo bastante com sua afirmação. No clima econômico atual, agora é a época de ser muito empreendedor, não no sentido de buscar lucro, mas de ser inventivo em como se desenvolve e apoia projetos. É o que nós mesmos estamos tentando. Não temos todas as respostas, mas estamos definitivamente fazendo as perguntas! Pessoalmente, tendo a pensar que o financiamento público não pode ser toda a resposta… No Reino Unido o governo não se demonstrou muito bom em ver o valor da cultura DIY emergente [grassroots]. O Brasil foi (algumas vezes) melhor. Ao mesmo tempo, muitas pessoas na área valorizam sua independência. Eu gostaria de ver os governos apoiando mais essa área, apesar de, como eu falei antes, eu não ver financiamento como a resposta a tudo.Future Everything – Festivais como Laboratórios Vivos
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Contact Theatre
O Future Everything é um festival que acontece anualmente no Contact Theatre em Manchester, Inglaterra. Criado há mais de 15 anos (quando ainda se chamava Futuresonic), é um dos eventos mais importantes daquilo que estamos chamando aqui de cultura digital experimental. Eu tive a oportunidade de participar do festival em 2008 (relatos aqui e aqui) e em 2010 (aqui e aqui).
Há alguns meses Drew Hemment, diretor do festival, escreveu um post de blog contextualizando os Future Everything Labs e levantando um dos (meta-) temas da próxima edição: Festivais como Laboratórios Vivos. Traduzo um trecho abaixo:
“A melhor maneira de prever o futuro é inventá-lo”. Esta citação de 1971 do cientista da computação norte-americano Alan Kay, mencionada dentro da mostra artística do FutureEverything em 2010, captura um ethos comum na cultura digital atual. O festival FutureEverything busca “trazer o futuro para o presente”, agregando uma comunidade mundial de artistas, tecnólogxs e pensadorxs do futuro para compartilhar, inovar e inventar o futuro. O FutureEverything apresenta intervenções participativas de arte-design que constroem futuros possíveis e possibilitam que as pessoas os habitem como experiências e experimentos. Esses experimentos projetam e testam inovações na arte, sociedade e tecnologia, e geram ideias e conceitos colaborativamente. Projetos artísticos participativos no festival anteveem e experienciam transformações na sociedade ou nas tecnologias, trazendo o futuro ao presente. A perspectiva de laboratório vivo emergiu de disciplinas como a ciência computacional e o design. Ela implica tirar a pesquisa do laboratório para testar ideias e protótipos com participantes em situações da vida real. Ela vai além do simples teste com usuários, envolvendo-os na co-criação, experimentação e avaliação. O laboratório vivo do FutureEverything envolve uma visão diferente da curadoria artística, em que o curador assume o papel de disruptor, ensaiando experimentos participativos na vida urbana moderna que levam as pessoas a verem problemas de maneira diferente, e contribuírem para mudanças. Ele também tem características do pensamento de design, particularmente do design participativo. O FutureEverything combina essas influências para transformar a cidade de Manchester em um laboratório vivo, ou espaço de atuação [play space] para experimentos participativos. O festival cria um espaço no qual as pessoas podem experimentar e atuar. As atividades podem incluir obras de arte, protótipos de tecnologia, inovação social e projetos de design. Isso fica mais interessante quando é realmente colaborativo e as pessoas estão fora de seus papeis convencionais – artistas fazendo espaços sociais, comunidades criando tecnologia, tecnólogxs possibilitando que percebamos o mundo renovado. Em seu programa artístico e em sua conferência, o FutureEverything reúne artistas, curadorxs, tecnólogxs, pesquisadorxs, críticxs, futurólogxs e cientistas para descobrir as pequenas faíscas que se desdobram em novas maneiras de ver o mundo. Ele destaca mostras artísticas, oficinas, performances e intervenções, incluindo muitas estreias mundiais – transformando a cidade em um espaço para experimentação e fazendo-a viva. Adotando essa perspectiva, o FutureEverything pode inventar e testar novas alternativas provocadoras para desafios na arte, sociedade e tecnologia, e contribuir para debates internacionais na arte, na inovação social e na cultura digital.danimatielo: RT @uwcbrasil: UWC em Mostar (Bósnia-Herzegovina) na Carta Capital, confira http://www.cartacapital.com.br/destaques_carta_capital/uma-p ...
Ilhas na rede
Achei na estante virtual uma cópia do Piratas de Dados, versão em português (com péssima tradução do nome, mas enfim...) do Islands in the net, de Bruce Sterling. Estou lendo sem pressa, mas já encontrando alguns trechos interessantes, como esse diálogo entre Laura e Debra:
- Quanto maior o corpo, menor o cérebro, é essa a estratégia? - perguntou Laura. - O que aconteceu com o bom e velho princípio do dividir para governar ?
- Não se trata de política, mas de tecnologia. Não é o poder deles que nos ameaça, mas a imaginação. A criatividade vem de grupos pequenos. Foram os grupos pequenos que nos deram a luz elétrica, o automóvel, o computador pessoal. As burocracias nos deram a usina nuclear, congestionamentos de trânsito e redes de televisão. As primeiras três coisas mudaram o mundo. As outras três são apenas história.
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Alô mutirantes!
Eu criei a página de wiki PlataformasPublicacao para documentar umas pesquisas que quero começar a fazer, sobre diferentes maneiras de publicar e distribuir material.
Daqui a algumas semanas, provavelmente depois da blogagem de inverno, precisamos conversar sobre os rumos do Mutirão e planos futuros. Vamos?
BTW, quem está recebendo avisos automáticos dos posts aqui? Está funcionando direito?
Mutirão da Gambiarra
